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O Brasil constitui um dos países com maior diversidade indígena do mundo, reunindo cerca
de quatrocentas etnias e aproximadamente trezentas línguas distintas. Apesar dessa
expressiva riqueza sociolinguística, os povos indígenas seguem enfrentando profundas
desigualdades sociais, dificuldades de acesso a direitos básicos e riscos constantes de
apagamento de suas línguas. Desde o período colonial, o português foi imposto como
mecanismo de dominação, produzindo o silenciamento e a marginalização das línguas
originárias. Nesse contexto, a língua é compreendida não apenas como instrumento de
comunicação, mas como elemento vital, articulando memória, espiritualidade, território e
identidade. Para muitos povos indígenas, a língua é concebida como um ser vivo, portador da
história e da força ancestral. Essa forma de expressão, denominada BRASLIND, não deve
ser compreendida como um “português incorreto”, mas como uma língua indígena legítima,
viva, que articula resistência e resgata memórias. O BRASLIND expressa pertencimento e
reafirma cosmologias indígenas, constituindo-se como território político de luta pela
valorização da existência, do território. A ausência desse reconhecimento contribui para a
reprodução do preconceito linguístico e da exclusão, especialmente nos espaços
educacionais. Assim, esta pesquisa, de caráter bibliográfico e exploratório, fundamentada em
referenciais produzidos por pesquisadores indígenas, tem como objetivo evidenciar a
importância do reconhecimento do BRASLIND como língua falada pelos povos indígenas
brasileiros, visando o reconhecimento de epistemologias indígenas no espaço acadêmico
para construção de uma sociedade mais justa, plural. |
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